Katrina (ii),

29.8.05


Kim, Camille, Bertha, Isabel são nomes de furacões famosos. São nomes femininos. Faz sentido. Bem sei que há nomes masculinos, mas não é a mesma coisa. Ou alguém imagina um aniquilador furacão «Bob»?

posted by rui at 29.8.05

Katrina

Golfinhos em piscinas de Motel. Let's brace ourselves.

posted by rui at 29.8.05

Reservados (ii)

Ele: desculpa lá, mas vê-se que estás um bocado chateada.
Ela: pois, mas eu não.

posted by rui at 29.8.05

O primeiro caso registado de gripe das aves

26.8.05

À atenção das autoridades sanitárias. A requerer abate imediato.

posted by rui at 26.8.05

Back to basics

25.8.05

Cristina P. não tinha um hotmail, tinha um hot male.

posted by rui at 25.8.05

de Colombo

Nada convida menos ao consumo do que um hipermercado vazio às dez da manhã. Não por ser um hipermercado, mas por estar vazio. As dez da manhã também não ajudam. Prateleiras repletas e intocadas inspiram temor e recato, e não concupiscência. Não conseguindo avançar pelo meio dos corredores desimpedidos, bolina-se a custo junto das prateleiras, furtivamente.

posted by rui at 25.8.05

Pais

A partir de uma certa altura, os pais começam a oferecer ventoinhas em saldo aos filhos.

posted by rui at 25.8.05

Verão

O Lonely Planet poderia chamar-se Loners Planet.

posted by rui at 25.8.05

Acabou

24.8.05

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com o casaco de meu pai também eu sou um homem

19.8.05

[aqui para aumentar]

posted by rui at 19.8.05

O que arde cura

18.8.05

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Post-doc

Meus caros, está encontrado o local da próxima festa.

posted by rui at 18.8.05

Mattoso escreve-se com um T

17.8.05

posted by rui at 17.8.05

O José Mário Silva mandou-me parar, e eu paro

12.8.05


Alles liebe, pessoal.

posted by rui at 12.8.05

Cinco objectos e uma pessoa a levar para uma ilha deserta

Sobre Julia Roberts: «Parece-me uma pessoa interessante para conversar e isso ajudava-me a melhorar o meu inglês»

O chef Vítor Sobral ao Diário de Notícias de ontem.

posted by rui at 12.8.05

Dicionário de paráfrases

Nega: Sorry, we couldn't complete your search because we're experiencing a high volume of requests right now. Please try again in a minute or add this search to your watchlist to track conversation.

posted by rui at 12.8.05

O gueto

11.8.05

A adaptação de «Queer eye for the straight guy», o novo programa da SIC, não é como o programa do Castelo-Branco. O Castelo-Branco pode até ser paneleiro, mas é foleiro. Falta-lhe o bom-gosto, o exacto bom gosto que sobeja ao Esquadrão G, composto por Óscar Reis, Pedro Crispim, Jorge Correia de Campos, João Ribeiro e Paulo Piteira.Bom gosto? Não, não se trata de bom gosto, o programa verdadeiramente não trata disso. Até Manuel Fonseca fala, sonsamente, de «tolerância». «Queer eye for the straight guy» não promove a tolerância, promove os mais grosseiros estereótipos. Ajuda à (auto)guetização do homossexual, como se fosse preciso ajuda para isso. Deste ponto de vista, é reconfortante para o Vítor Espadinha que temos cá dentro. «– Ó Maria, vem cá ver os paneleiros a cortar o cabelo ao Jaime do 4º direito. Larga os tachos, que diabo. Liga lá o vídeo e traz-me uma cerveja. Uma, não. Traz logo duas qu'é para não tares sempre a ir e vir». Toda a gente gosta de espreitar pelo buraco da fechadura, e eu não sou excepção. Mas, repare-se: não, não é de bom-gosto, nem de tolerância que se trata. Se se tratasse disso, não teria audiências – e vai ter.
Os queer recrutados para recriar o straight bronco, feio, peludo e sem dedo para escolher cortinados serão decerto vistos como os paneleiros-de-serviço. Não por má-vontade alheia, mas por vontade própria. Eles têm carta branca para remexer em tudo. Em tudo, não. A orientação sexual do straight não é para rectificar. Ou não haveria programa. O straight guy é uma espécie de Zézé Camarinha: negativo do queer, definido pela ausência de certas qualidades como sensibilidade, gosto, boa aparência, savoir-faire, bcbg. Cada um define o outro por antítese. São os próprios homossexuais que ajudam a reproduzir o estereótipo «bicha», caucionando-o. Aliás, o mesmo sucede ao straight, e o governo não fala disso.
Aquilo que selecciona os queer para a função televisiva não é a sua competência, ou é-o apenas de forma muito secundária; aquilo que os elege é a sua orientação sexual assumida. E aqui reside o problema, e o problema é político.
O queer tem sido objecto de um bem-sucedido reclaiming. Antony and the Johnsons, Rufus Wainwright, «Pirates of the Caribbean», e sobretudo a «Autografia» de Mário Cesariny, para dar alguns exemplos. Que aqui é invertido. De repente, «queer» passa só a querer dizer «bicha», outra vez. O estereótipo não está a ser glosado, está a ser gozado. Está a fechar-se sobre si próprio; não inclui, exclui; não é cosmopolita, mas pacóvio; não é, por isso, motivo para nenhum orgulho.

posted by rui at 11.8.05

Talking about music is like dancing about architecture

10.8.05

à atenção do pessoal do Quase Famosos

«I have a friend, jazz musician......trumpet player, really terrific. And I go and hear him jam every month or so and he plays this piece I love, an old Chet Baker song. And he blows the same notes every time and every time it sounds so different. And we had drinks one night...when I used to drink....and I tried to tell him how that song made me feel, how the music made me feel, how his playing made me feel. And he just kept shaking his head and he said 'Joan, you can't talk about music! Talking about music is like dancing about architecture', and I just said, 'Well fine! Gonna get all philosophical on me, its just as pointless as talking about a lot of things, love for instance'. And my friend laughed and he said, 'definitely, most definitely, talking about love is like dancing about architecture'. So I don't know, he might be right.....but it ain't gonna stop me from trying».

[Angelina Jolie,«Joan», em Playing by Heart, de Willard Carrol, 1998]

posted by rui at 10.8.05

Boas (e) novas

posted by rui at 10.8.05

Boas novas

A mim, parece-me que a maior prova de que a subtil teoria do «intelligent design» defendida por George W. Bush está errada é ele próprio. Embora Bush falsifique a ideia de «intelligent design», não desesperemos. É que, por outro lado, o cérebro de Bush vem fornecer a decisiva confirmação experimental de que a teoria de Lamarck, segundo a qual, ao longo da evolução da espécie, os orgãos não utilizados tendem a definhar, está correcta.

posted by rui at 10.8.05

Agora não se queixem

Os incêndios, o défice, a Ota, o diabo a sete. Quando as garrafinhas do Bio Danone ficaram mais pequenas de um dia para o outro ninguém se indignou. Ninguém disse nada, ficou tudo nas encolhas. Ninguém exigiu um Prós e Contras.

posted by rui at 10.8.05

Começou a chover

9.8.05

Aguardam-se a qualquer momento as inundações.

posted by rui at 9.8.05

O real não tem nada de especial

Vasco Prado Coelho, perdão, Roland Prado Coelho, perdão, Eduardo Prado Coelho incensou hoje de manhã as revistas Blue Travel e Blue Living. E fez muito bem. Que as fotografias são óptimas, sem dúvida. Tão assim óptimas, que fazem com que a cidade de Almada chegue a ser uma cidade bonita, um paraíso de ironias. Mas não apenas estas; tantas outras revistas de viagens, que ficam por nomeadar, apontam, embelezam, descobrem locais, lugares, lagoas e patos onde nos apetece habitar. EPC rejubila por ter, ele próprio, e como diria o Jorge Perestrelo, com a «sua barriguinha», descoberto uma praia no México, a del Carmen, hoje banalizada nas páginas dessas mesmas revistas.
Mas não é isto que impressiona EPC. Diz ele: «o que me impressiona nestas revistas é que nunca vi nelas a mais intrometida mosca. E, no entanto, estes paraísos têm mosquitos que zumbem durante a noite, abelhas que nos conduzem ao hospital, moscas que apostaram em converter o paraíso no inferno. O que falta às revistas de viagens são as moscas. São todas de uma transparência bela e envolvente: nenhuma nos dá aquilo que podemos designar como o “atrito do real”. Ou as agruras de um viajante».
Ora, esta bela frase acabou de encontrar a sua utilidade, a de garantir que EPC nunca dirigirá uma revista de viagens. Às revistas de viagens faltam as moscas porque as revistas de viagens são, por definição e por necessidade, a ausência das «moscas». As revistas de viagens evitam a todo o custo o «atrito do real» porque sabem que o real não tem interesse nenhum. As revistas de viagens são, pelo contrário, ainda melhor que o real, são o real com lubrificante e duas pedras de gelo. São os dois ou três Grants da dona Bina. As pessoas pagam para não ver «abelhas», «mosquitos» e «hospitais», sobretudo quando olham para lá do vidro da camioneta da carreira e, através do autocolante que diz «partir aqui em caso de necessidade», vêem que estão a passar pela rotunda do Centro-Sul a caminho do Fogueteiro. E não é porque as pessoas se estejam a alienar involuntariamente, é só porque vivem na Damaia. Há aqueles que, na Brandoa, fazem bandas como os Moonspell, uns que compram a Volta ao Mundo, e outros que são os primeiros do gang a morrer. Será que EPC nunca comprou a Playboy só para ler os artigos de fundo? Então, é a mesma coisa. Esta nostalgia neo-realista do atrito, do sujo, do grão na imagem cheira, aliás, um bocado a dogma. Outra coisa: e qual é o mal da transparência bela e envolvente? A abjuração da transparência bela e envolvente cai no erro de tomar por transparente aquilo que é espessamente opaco. Fosse transparente, e ver-se-iam as moscas. Caro Eduardo, no Nina paga-se não tanto para ter sexo mas para não se ser rejeitado – ou, dito de outra forma, é preciso não confundir as praias da Rotas e Destinos com as praias de Sophia de Mello Breyner.

posted by rui at 9.8.05

Double Indemnity

8.8.05


MacMurray: I'll When it came to picking the killer, you picked the wrong guy. You want to know who killed Dietrichson? Hold tight to that cheap cigar of yours, Keyes. I killed Dietrichson - me, Walter Neff, insurance salesman, 35 years old, unmarried, no visible scars... (He glances down at his shoulder wound.) - until a while ago, that is. Yes, I killed him. I killed him for money and for a woman. I didn't get the money and I didn't get the woman. Pretty, isn't it?


Saiu, finalmente, em DVD, para a zona 2, faz, depois de depois de amanhã, um mês.

posted by rui at 8.8.05

since feeling is first

who pays any attention
to the syntax of things
will never wholly kiss you;

wholly to be a fool
while Spring is in the world

my blood approves,
and kisses are better fate
than wisdom
lady i swear by all flowers. Don't cry
- the best gesture of my brain is less than
your eyelids' flutter which says

we are for each other: then
laugh, leaning back in my arms
for life's not a paragraph

And death i think is no parenthesis

[E .E. Cummings, 100 Selected Poems, Grove Press, p. 35]

(*)(*)

posted by rui at 8.8.05

Your ballroom days are over, too, baby

3.8.05

Helena Roseta acusa hoje Mário Soares de não saber «sair a tempo».
Helena Roseta.
Eu repito: Helena Roseta.
Sim, Roseta.

posted by rui at 3.8.05

His Ubergeekness


A sexta época já saiu

posted by rui at 3.8.05

Olá, Cecilia

posted by rui at 3.8.05

Ir ao cinema

2.8.05

A crítica de cinema é sempre maçadora e repetitivamente sobre os filmes, nunca sobre ir cinema. Ora, as cadeiras do Londres são o que me faz sair de casa para ir ao cinema. Que eu me recorde, Luís Miguel Oliveira nunca escreveu sobre as cadeiras do Londres. As cadeiras do Londres são a razão pela qual, não fosse o estúpido do KingKard, iria ao cinema sempre ao Londres, independentemente do filme. Sim, a qualquer filme, a todos os filmes. Acho que não ir ao cinema só porque não está em cartaz nenhum filme de jeito é uma estupidez. João Lopes, que uma gloriosa vez deu, acertadamente, cinco estrelas ao «In bed with Madonna», nunca abordou a temática do frio no Quarteto. O som do Quarteto justifica volumes. O Quarteto, em si, justifica um acordo com a Médis. António Cabrita nunca falou das pipocas que mais gosta. O cinema não é para comer pipocas, nem para beber refrigerantes. Se é para isso, se é para estar à vontade, então, como uma vez disse o Esteves Cardoso, que se possa fumar e beber um uísque. Cerveja, não. Por que razão Augusto M. Seabra não faz recensão de trailers? Senhores críticos, digam coisas sobre o que sentiram ao ver o filme. Falem-nos por metáforas. Digam-me que um filme vos fez sentir como quando, no final da sessão, se saía do Condes para o lado, para a rua, através das portas abertas de par em par, para a luz da rua, que eu dispenso as estrelas e o google.

posted by rui at 2.8.05

way too real for wide appeal


Susan Sarandon, The Rocky Horror Picture Show, 1975


Hey girl

As I've always said I prefer your lips red
Not what the good Lord made but what he intended
[Roger Waters, «4.41 AM Sexual revolution», The Pros and Cons of Hitchhiking]

posted by rui at 2.8.05

Isto está com falta de fotografias

posted by rui at 2.8.05